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Candidiase Vaginal Recorrente




Candíase Vulvo Vaginal Recorrente (CVVR)

 

Conceito: Quatro ou mais recorrências por ano de vulvo vaginite por cândida

Fatores de risco para recorrência:

1 – Diabetes mellitus: pacientes com diabetes mal controlado , principalmente aquelas com nível de glicose entre 200 – 400 mg/dl , têm uma maior incidência de candidíase muco cutânea , mas poucas têm CVVR e entre as diagnosticadas como portadoras de CVVR , poucas são diabéticas .

2 – Imunodeficiência: pacientes HIV + têm maior predisposição à candidíase oral e esofageana , mas não têm uma frequência aumentada de candidíase vulvo vaginal sintomática , apesar de serem mais colonizadas .

3 – Fatores hormonais: os episódios de candidíase sintomática são mais frequentes em mulheres em idade reprodutiva , e a maior parte das recorrências ocorre em período pré menstrual ; a gravidez predispõe à candidíase sintomática ; o aumento de episódios de vaginite por cândida em usuárias de anticoncepcional hormonal está limitado àqueles de dose alta .



4 – Imunidade local mediada por células cândida – específica: a imunidade sistêmica mediada por células candida-específica , que é um fator protetor importante na candidíase mucocutânea de outras localizações que não a vagina , não parece ter uma ação protetora importante na CVVR . A imunidade mediada por células localmente na mucosa vaginal , quando alterada , pode promover uma reação de hipersensibilidade local , levando a sintomas alérgicos .

5 – Antibióticos de largo espectro: apesar de ser reconhecido que o uso de ATB de largo espectro , principalmente por períodos prolongados , pode aumentar o risco de um episódio de candidíase vaginal , a maior parte dos episódios de recorrência em pacientes com CVVR se dá na ausência do uso de qualquer antibiótico .

6 – Hábitos de vida , vestuário , vida sexual: os trabalhos publicados não mostraram uma associação consistente entre estes fatores e a CVVR .

7 – Resistência aos antifúngicos: a candida albicans quase sempre responde aos antifúngicos azólicos ; as candidas não albicans são menos sensíveis aos antifúngicos azólicos .

De onde vem o fungo na CVVR ?

Acreditava-se que a vagina se tornaria re-infectada por reservatórios que poderiam ser o reto , o trato genital superior , ou o sêmen , a pele ou cavidade oral do parceiro ; estudos recentes caracterizando a similaridade da sequência de DNA da candida encontrada na vagina e nestes outros reservatórios mostra que não é o mesmo tipo encontrado na vagina ; por outro lado , o mais comum é a manutenção do mesmo tipo de candida nos episódios de recorrência , indicando que a espécie infectante nunca foi totalmente eliminada e sofreu um processo de recrudescimento .

Diagnóstico:

É feito por : Anamnese
Exame físico – Inspeção de vulva e vagina
_ Coleta de amostra na parede vaginal lateral para cultura
_ Avaliação do pH vaginal
_ Teste de aminas
_ Exame microscópico a fresco com solução salina e com KOH

Diagnóstico Diferencial:

Deve ser feito com:
- Dermatite irritativa
- Vestibulite vulvar
- Vaginose bacteriana
- Secreção fisiológica

Tratamento:

- Afastar fatores predisponentes
- Tratamento medicamento

Tratamento inicial por 14 dias para induzir remissão clínica e uma cultura para fungos negativa , seguido por um regime de manutenção por 6 meses  (orientado pelo ginecologista) e
IMUNOTERAPIA com extrato aquoso de candidina (tratamento a ser feito por alergista)


Seguimento:

Causas de recorrência durante o tratamento de manutenção :
- eliminação de organismos sensíveis aos derivados azólicos e sua substituição por espécies não albicans
- ocorrência de dermatite com sintomas irritativos


Cada episódio de recorrência durante o tratamento de manutenção deve ser tratado como um episódio isolado.